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PIM! e a ilustração de Jutta Bauer junta-se ao Folio

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A II Mostra de Ilustração – Para Imaginar o Mundo abriu as portas no Festival Literário Internacional de Óbidos. Uma exposição tão irreverente como surpreendente.

No cocuruto da Galeria NovaOgiva consegue-se uma varanda para conversar com a ilustradora alemã Jutta Bauer, que em todas as biografias surge como a vencedora da edição de 2010 da Medalha Hans Christian Andersen, considerado o Nobel da literatura infantojuvenil.

A alemã é uma entre os vários ilustradores portugueses que ali estão, dois dos quais, João Fazenda e Yara Kono, vieram receber das mãos do secretário de Estado da Cultura, Miguel Honrado, os diplomas que asseguram que ganharam, respetivamente, o Prémio Nacional da Ilustração e uma menção honrosa.

Até se chegar ao cocuruto, Jutta Bauer observa as obras em exposição e dirá do espaço onde também a homenageiam, com a recriação do seu livro recém-publicado em Portugal, A Rainha das Cores, que é excecional: “Já tirei várias fotografias da minha parte para mostrar aos meus editores como é que se faz um bom trabalho.” A ilustradora não conhecia Óbidos mas o país já é um seu velho conhecido, pois foi uma entre os muitos alemães que a seguir ao 25 de Abril andaram por cá em turismo revolucionário: “Sou uma soixante-huitarde, não vale a pena esconder, até porque foi dos tempos mais felizes da minha vida.”

Chegou à ilustração infantojuvenil por exaustão profissional: “Queria ser cartoonista política e fi-lo durante muito tempo, só que entregar todas as semanas uma caricatura deixava-me em stress. Aí, optei por outras áreas e cheguei à literatura infantojuvenil.” A Rainha das Cores sai agora em livro mas já foi um filme animado há duas décadas. Entretanto, criou várias personagens e publicou muitos álbuns: “Uns resultam de ideias a que não dera valor anos antes mas a maioria resulta da observação do dia-a-dia e do que vejo no que me rodeia.” Não nega que os reis e as rainhas, como é o caso desta protagonista, são temas que têm logo adesão dos seus jovens leitores: “Se fizesse uma história sobre um primeiro-ministro, eles não perceberiam tão rapidamente o conceito do cargo como quando se fala de uma rainha.” E esta monarca gosta de conviver com as cores, designadamente o azul, o vermelho e o amarelo. Mesmo que a rainha se irrite com uma delas, a cor amarela, Jutta Bauer acaba por revelar que é esta a sua preferida.

Pergunta-se-lhe se gosta mais de escrever ou de desenhar a história, e a resposta é um encolher de ombros: “Gosto de ambas as partes.” Mesmo que se note que no livro há uma boa quantidade de páginas onde o desenho domina e o texto desaparece. Quanto ao seu público preferencial não pode apontar apenas os mais novos: “Acho que tanto os filhos como os pais gostam dos meus livros. Se não tiverem prazer em os ler para os filhos, a tarefa será mais difícil.” Não é que ao iniciar um novo livro se preocupe em ter uma mensagem para passar ao leitor: “Não acho que estes livros devam ter um conteúdo político, por exemplo, nem começo um livro com uma ideia que queira transmitir. Nem gosto de estar presa a um roteiro que seja impossível de alterar, pois a meio posso querer mudar tudo se não estiver a gostar do caminho que leva o trabalho.”

Jutta Bauer explica ainda como gosta de mudar o seu estilo de um livro para o outro, de usar novas técnicas ou personagens diferentes de álbum para álbum: “Os leitores reconhecem o meu traço mas não estou preocupada com isso. Gosto de desenhar sem ser por obrigação e fazer coisas novas, que surgem na minha cabeça tanto durante a madrugada, num sonho, na rua ou, antigamente, enquanto lia histórias para os meus filhos adormecerem.”

No final pergunta-se se acha que as muralhas de Óbidos seriam capazes de a inspirar. Ri-se e diz que há muita gente a passear pela vila: “Seria preciso estar longe das multidões e conhecer o local e as pessoas sem barulho à minha volta.” Enquanto isso não acontece, regressa aos autógrafos, em que recebe os que querem a sua assinatura num livro e acabam por levar um desenho feito na hora e só depois o nome de Jutta Bauer em baixo. Não será por acaso que anda sempre com uma pequena bolsa com duas divisões a tiracolo, uma para os lápis de cor e outra para as canetas.

Fonte: DN

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